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Sazonalidade no campo e flutuação na oferta ditam preços de hortifrútis no mercado

Pesquisadora do Cepea faz análise sobre a produção e o consumo de frutas sem pesar no bolso

A produção brasileira de frutas e hortaliças tem uma diversidade como em nenhum outro lugar do mundo. Há uma variedade de cores e sabores de frutas e de preços também. Quando se tem uma oferta maior, o preço tende a cair e quando é entressafra o preço sobe no mercado.

Análise feita dos preços no atacado, por meio do acompanhamento realizado pelo Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro, da Companhia Nacional de Abastecimento (PROHORT/Conab), indica redução nos preços médios para a maioria das principais frutas e hortaliças comercializadas no mercado nacional. Os dados referem-se à média mensal, construída conforme acompanhamento diário dos preços nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país.

Preços

Dentre os produtos analisados, foi registrado aumento nos preços de julho/22, frente a junho/22, para a cebola (1,6%), limão tahiti (2,7%), maçã (2,8%) e banana nanica (6,0%). Por outro lado, há redução nas médias para laranja pera (-4,0%), banana prata (-4,4%), cenoura (-6,8%), uvas itália, niagara e rubi (- 7,7%), batata-inglesa (-12,2%), alface (-16,9%) e tomate (-29,8%). As flutuações nos preços são justificadas pela relação oferta-demanda de cada produto.

Já para a cenoura, a oferta nacional está em alta, com colheita intensificada no Cerrado Mineiro e Goiano e na região de Irecê (BA). Cenário semelhante é visto para a batata, com boa produção para a safra de inverno, e colheita no Sul e Triângulo Mineiro, Cristalina (GO), além do Sudoeste Paulista e Paraná.

Produção menor no campo

Lá no campo, a produção em algumas culturas de frutas diminuiu, muito por conta da crise econômica e aumento dos custos de produção, é o que analisa Marcela Barbieri, pesquisadora de frutas da Hortifruti/Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

“Esse aumento que a gente tem observado para o HF de preço nesse ano, está muito relacionado a alguns fatores econômicos, o produtor está mais receoso em investimentos, em plantio e até diminuindo tratos culturais, por conta da crise econômica que a gente está vivenciando. Para algumas culturas, plantio reduzindo, é o caso do mamão, da banana, da melancia, do melão. A redução de investimentos no campo, o custo de produção está muito alto como o preço dos fertilizantes. Tudo isso reduz a produtividade e consequentemente, quanto menos oferta, maior o preço”.

Clima

Segundo a pesquisadora, o fenômeno La Ñina trouxe grandes impactos no primeiro semestre de 2022, com chuvas isoladas em regiões do país e seca em outras localidades, o que gerou grande diversidade de resultados na produtividade de hortifrutis no Brasil.

A maçã, por exemplo, apresentou redução na disponibilidade do produto no mercado, em resposta ao período de entressafra nacional, e, portanto, a demanda vem sendo suprida por estoques classificadores e pelo produto importado.

“Nessa primeira metade do ano, o La Ñina trouxe mais chuva no Nordeste e menos chuva no Sul. Por exemplo, a maçã com produção focada no sul do Brasil, enfrentou estiagem no período de enchimento da fruta, observamos um menor volume, com frutas mais miúdas sendo colhidas. Em contrapartida, a produção de uva no nordeste teve muito problema com doenças fúngicas por conta de chuvas, mamão também, são frutas mais sensíveis, e isso trouxe uma menor oferta nesse período e impulsionou as cotações, nessa primeira metade do ano”, aponta Barbieri.

Consumo

A pesquisadora do Hortifruti/Cepea indica que a diversidade da produção nacional em função das regiões, do clima e da cultura, pode ser a saída para consumir as frutas da estação, sem pesar no bolso e manter uma alimentação rica, cheia de nutrientes e equilibrada.

“Pensando não só no inverno, mas em um todo, o consumidor tem que ser muito mais aberto e mais diverso no que ele vai comer. O Brasil é enorme, o clima muda muito do Norte para o Sul, então temos um potencial de produção para diversos tipos de frutas e hortaliças. Então ter que ser mais aberto para consumir o que está sendo mais ofertado. Cada cultura tem seu pico de produção em determinado período e região, é seguir observando essa sazonalidade pra comprar com preços acessíveis”, orienta a pesquisadora de Hortifruti/Cepea.

Perspectiva

Há a expectativa que oferta melhore, com a virada de clima para o período chuvoso e maior equilíbrio do mercado.

“Agora na segunda metade do ano, principalmente para frutas, a gente tende a ter uma maior oferta, mas essa oferta é comum para o período, para a maioria das frutas: mamão, banana prata, manga, uva, melão. Mas pode ser uma oferta que não seja tão grande como em anos anteriores, por conta dos impactos do clima e da restrição econômica, que tem deixado o produtor mais receoso, de grandes investimentos”, finaliza Marcela Barbieri, pesquisadora de frutas da Hortifruti/Cepea.

Janaina Honorato
Janaina Honorato
Jornalista especialista em agronegócio com formação em marketing digital. Experiência de 9 anos com comunicação para o agronegócio em reportagens de TV, rádio, impresso e internet.
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