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Projeto Campo Futuro levanta custos da agropecuária em seis estados

Painéis de grãos, frutas, hortaliças, café, cana e pecuária de corte foram realizados durante a semana.

Os painéis de levantamento de custos de produção da agropecuária foram realizados nos estados de Mato Grosso, Rio de Janeiro, Bahia, Tocantins e Minas Gerais. O projeto Campo Futuro é desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foram analisados grãos, frutas, hortaliças, café, cana e pecuária de corte.

Os encontros tiveram a participação de produtores, sindicatos rurais, cooperativas, técnicos, representantes das federações estaduais, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e do Centro de Inteligência de Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA).

Confira os principais resultados dos levantamentos por atividade:

Grãos (soja e milho) – A coleta de informações ocorreu em Mato Grosso para as culturas de soja e milho. Nos municípios de Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis, as produtividades médias obtidas para a soja na safra 2022/2023 foram de 60 sacas por hectare. Em Sinop, foram 62 sacas/ha e, em Querência, 65 sacas/ha.

Para o milho 2ª safra, os produtores colheram, em média, 100 sacas por hectare em Primavera do Leste, 105 sacas/ha em Querência, 110 sacas/ha em Sinop e 125 sacas/ha em Campo Novo do Parecis e em Sorriso.

Segundo o assessor técnico da CNA, Tiago Pereira, no período analisado, os custos com fertilizantes da soja tiveram altas de 73% e 70% em Primavera do Leste e em Sorriso, respectivamente. Os herbicidas para o milho subiram 115% nas duas regiões. Já em Querência, a alta foi de 132% para os fertilizantes da soja.

Hortaliças (alface) – O levantamento de dados foi realizado no município de Teresópolis (RJ), onde foi definida uma propriedade modal de 2 hectares, sendo 1,4 hectare cultivado com alface, ao longo de seis ciclos de plantio em um ano. As variedades que predominam são crespa e lisa, com comercialização direto na propriedade.

A assessora técnica Letícia Barony afirmou que durante o painel foi ressaltada a oscilação nos volumes cultivados, bem como na oferta de produtos ao longo do ano e, especialmente, dos preços praticados, havendo uma grande variação entre inverno e verão. “A análise foi essencial para a avaliação da atratividade da cultura”, disse.

Frutas (banana) –Já o painel de custos de produção da banana foi promovido na região de Bom Jesus da Lapa (BA). A propriedade típica avaliada possui 8 hectares cultivados com a fruta, com predomínio do tipo prata anã e produtividade de 25 toneladas por hectare.

“Um painel semelhante foi realizado em 2018 e na época foi indicada produtividade de 30 toneladas por hectare. Os produtores relataram redução na produtividade frente aos desafios fitossanitários e elevação nos custos com insumos”, explicou Letícia.

Pecuária de corte – Os técnicos do Campo Futuro estiveram nos municípios de Araguaçu, Paraíso do Tocantins e Colinas do Tocantins para levantar os custos de produção da pecuária de corte. Em Araguaçu, o sistema de produção é de cria de bezerros em uma área de pastagem de cerca de 220 hectares, com 150 matrizes. Os itens que mais pesam no Custo Operacional Efetivo (COE) são suplementos minerais (247,1%) e mão de obra (22%). O custo da arroba vendida na região totalizou R$ 298,30.

O assessor técnico da CNA Rafael Ribeiro informou que, em Paraíso do Tocantins, o sistema de produção também é de cria de bezerros, com 500 matrizes e uma propriedade modal de aproximadamente 1,1 mil hectares de pastagens. Suplementos minerais é o item que mais pesa no bolso do produtor, responsável por 31% do COE, seguido por combustível (16,3%) e mão de obra (13,5%).

Já em Colinas do Tocantins, o sistema é de recria e terminação de bovinos em pasto mais suplementação. A propriedade modal tem aproximadamente 1 mil hectares de área total, com 380 cabeças de boi gordo vendidas anualmente. Os principais itens do COE são aquisição de animais (58,9%) e suplementação mineral (28,9%).

Cana-de-açúcar –Os painéis do projeto Campo Futuro de cana-de-açúcar ocorreram em Minas Gerais. Em Iturama foi definida uma propriedade modal de 500 hectares de produção e 6 cortes por ciclo produtivo. A produtividade média da região é de cerca de 78 toneladas por hectare e qualidade da matéria-prima de 136 quilogramas de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana.

A assessora técnica Eduarda Lee destacou que na região é utilizado o Consecana Iturama como sistema de remuneração. Já em Campo Florido, a propriedade é de 1 mil hectares, 6 cortes e produtividade de 95 toneladas por hectare.

Café –O levantamento de custos de produção do café arábica foi realizado em Santa Rita do Sapucaí (MG). De acordo com a assessora técnica Raquel Miranda, a propriedade modal foi caracterizada com 20 hectares de área produtiva e o cultivo é realizado em sequeiro com condução semimecanizada. Houve plantio de cultivares resistentes a ferrugem nas áreas em processo de renovação e a melhora na produtividade média por hectare para a safra de 2023.

Em comparação com o levantamento dos custos realizado em 2022, os desembolsos com os principais componentes do custo de produção sofreram aumentos de 24% com mão-de-obra e 9% com defensivos. Os desembolsos com fertilizantes recuaram 38%, mecanização 13%, possibilitando uma redução de 20% no total dos desembolsos diretos. “No entanto, mesmo com a redução dos custos de produção, a margem líquida da atividade está negativa, devido ao forte recuo nos preços do café”, disse Raquel.

ViaCNA
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