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Comitiva da CNA de empresários e produtores a Dubai abre oportunidades para o agronegócio brasileiro

Missão Comercial ao Oriente Médio tem parceria da CNA, Apex-Brasil e Invest SP

A missão da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) levou empresas rurais brasileiras a Dubai, Emirados Árabes Unidos, nos dias 11 a 18 de fevereiro.

A comitiva foi a palestras, seminários, fez visitas técnicas à supermercados, mercadões, a Feira Gulfood, a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, a ExpoDubai e ainda à Zona Franca, o porto do Emirado; tudo para gerar aos participantes conhecimento sobre a cultura e hábitos de consumos, troca de experiências com o mercado árabe, além de buscar novas oportunidades de negócios com os comerciantes em Dubai.

O grupo de empresários participa do Projeto Agro.BR, da CNA e da Apex-Brasil, que trabalha para ampliar e diversificar as exportações brasileiras. Na Feira Gulfood, o representante da empresa Amidos Mundo Novo, Ivan Klaus, do Mato Grosso do Sul, concretizou a venda de 200 toneladas de fécula de mandioca para o Líbano. Já exportava para 24 países, mas ano passado conseguiram a certificação para exportar para os países islâmicos.

“Fomos surpreendidos com os resultados, saímos daqui com contatos e conexões para o mundo. Oportunidade de mostrar o produto brasileiro para todos os mercados da Europa, Canadá, Estados Unidos e Oriente Médio. O Líbano já estava no radar da empresa, porque compram fécula de mandioca de outros países. Agora a mandioca brasileira, da agricultura familiar, está sendo colocada à mesa deles. Oriente médio dá potencial para o crescimento dos nossos produtos, atendendo as exigências de certificação internacionais como Halal, BRC e os preços que são uma commodity a nível mundial”, disse.

Escritório da CNA em Dubai

Empresários se reúnem na inauguração do escritório da CNA em Dubai. Foto: Divulgação/CNA

Durante a missão, também foi inaugurado em Dubai, o terceiro escritório da CNA fora do Brasil. Além disso, existem outros dois em Xangai e Singapura. A ideia é ampliar as possibilidades de exportação de pequenas e médias empresas rurais, como produção e beneficiamento de frutas, cafés e chocolates por exemplo.

“Nós estamos trazendo empresários de outros nichos, com tipos de produtos pouco exportados. No Brasil, nós também temos gente prospectando junto à fontes produtoras, para que se alcance este grande mercado internacional. Nosso País tem capacidade de produção de alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas e nós temos uma população de 200 milhões, então, é de extrema importância que nossos produtores se lancem no mercado internacional”, explica o vice-presidente de Relações internacionais da CNA, Gedeão Pereira.

Oportunidade para o Agro Brasileiro

O Oriente Médio tem 14 países, juntos eles somam mais de 256 milhões de habitantes. Número que cresceu 20% de 2010 a 2020 e daí vem a necessidade de importar alimentos para atender essa população. Em 2020, o Oriente Médio ficou na terceira posição no ranking mundial de importadores, com mais de 95 bilhões de dólares em produtos comprados.

A renda média na região é alta a média alta, o que é uma ótima oportunidade para o mercado brasileiro, oferecer produtos de qualidade com valor agregado. O CNA escolheu a cidade de Dubai para o terceiro escritório, por ser um importante polo de investimento dos principais centros logísticos do mundo. O local é em parceria com a Invest São Paulo, Agência do Estado Paulista de Promoção de Investimentos, que vai atender o Oriente Médio e os participantes do Agro.BR.

O objetivo é dar acesso a estudos de mercado, ajudar com planejamento estratégico, missões comerciais e outros serviços. Como conta Sueme Mori, diretora de relações internacionais da CNA. “O Brasil é uma potência exportadora de alimentos, somos o terceiro maior exportador do mundo, mas a nossa pauta é muito concentrada. É um projeto, desenvolvido pra apoiar a internacionalização desses pequenos e médios produtores rurais, que tradicionalmente não fazem parte da nossa pauta exportadora”.

Waister Martins, é gerente de exportação da Alca Foods, empresa familiar que fica em Goiás e vende cereais matinais, além de outros produtos. Ele conta que já exportam há 15 anos para países da América do Sul e que agora a oportunidade é de atingir novos mercados.

 “Estamos adaptando nossas embalagens ao idioma, a certificação Halal, tudo isso pra atender ainda mais e abrir mais negócios nessa região. É muito importante para as empresas brasileiras a exportação e no momento na crise que estamos passando nos fretes internacionais, a abertura desse mercado tanto para o Oriente Médio, quanto para os países africanos”, analisa.

Agro Brasileiro nas Gôndolas do Oriente Médio

Os empresários e produtores rurais também tiveram a chance de conhecer grandes redes de supermercados em Dubai. Uma oportunidade de pesquisar produtos, conferir os preços e ver também alimentos brasileiros nas gôndolas. Um dos exemplos é o WaterFront Market, mercado de alimentos frescos, com frutas, verduras, carnes, grãos e especiarias.

Produtor de frutas no interior de São Paulo, Rodrigo Parise participou da Missão CNA. Começou a exportar há cinco anos em mercados como Canadá e Europa. Nos Emirados Árabes Unidos e Kwait, ele observou que algumas frutas chegam com ajuda de empresas de exportação, mas que o objetivo é fazer a venda direta aos mercados.

“É uma experiência única, é um mercado promissor, tem uma variedade enorme na parte de FLV, frutas, legumes e verduras, não só isso, mas a parte de pescados e a gente como produtor, enxerga uma oportunidade, de poder estar ampliando as vendas. A nossa intenção é estabelecer o contato com os clientes aqui, os importadores, pra fazer de forma direta, as exportações das nossas frutas”, explica o sócio da Fruticultura Irmãos Parise.

Negócios na Feira Gulfood

Stand do Brasil na Feira Gulfood em Dubai. Foto: Divulgação/CNA

Durante a Gulfood, a Cooperativa Agrária De Cafeicultores De São Gabriel, no Espírito Santo, a Cooabriel, disse que já exporta pimenta do reino para os Emirados Árabes Unidos desde o segundo semestre do ano passado. A presença na Gulfood, trouxe expectativa de diversificar ainda mais pelo Oriente a exportação de produtos.

“A gente está trabalhando firme na qualidade, já estamos conseguindo exportar para América do Sul, Estados Unidos, Londres, então o objetivo é colocar nosso café em todos os lugares do mundo”, afirma a representante da empresa, Júlia Partelli.

E-commerce como ferramenta

De acordo com a Câmara Árabe-Brasileira, vem crescendo o número de empresas colocando seus negócios no digital. O e-commerce pode facilitar a comunicação e os negócios entre os países árabes, a África e o sudeste asiático.

“A Câmara Árabe criou a plataforma ELLOS, que é uma vitrine em que os brasileiros mostram o que eles têm de melhor para os árabes. O mundo acompanha essa tendência, então é muito importante as empresas pensarem no e-commerce”, analisa Rafael Solimeo, chefe do escritório da Câmara Árabe-Brasileira.

Negócios na ExpoDubai

Grupo de empresários e produtores rurais brasileiros em visita à ExpoDubai. Foto: Divulgação/CNA

A ExpoDubai, é uma feira internacional que aborda temas como cultura, tecnologia, design e negócios. Os empresários e produtores rurais da Missão CNA, participaram da maior exposição global com 192 países, que apresentam novidades das suas nações nas áreas de sustentabilidade, mobilidade e oportunidade.

“A CNA tem facilitado nossa entrada nesse mercado e nos dando garantia que continuará com esse apoio, com contatos, com a parte de negócios, legalização. Ela se compromete a ajudar em cada passo necessário ao ponto do nosso café sair do Brasil, chega aqui e processado e distribuído. É uma beleza porque poucos países do mundo fazem algo assim“, diz César Cervantes, gerente de exportação da Café Brasílico, de Minas Gerais.

Em 2021, o Oriente Médio foi o quarto principal destino das exportações do agro brasileiro, atrás da China, União Europeia e Estados Unidos. O grupo de empresários e produtores rurais tiveram grandes oportunidades de contatos, experiências e negócios presentes e futuros durante a missão.

“Tivemos muitos ganhos do ponto de vista de mercado e negócios e do ponto de vista de fazer bons contatos”, analisa Sueme Mori, diretora de relações internacionais da CNA.

“Agradeço a todos os envolvidos da Missão CNA, que deram a oportunidade para nós, pequenos e médios produtores, trazermos nossos produtos para países estratégicos, mostrando o agro brasileiro para o mundo inteiro” finaliza Ivan Klaus, representante da empresa Amidos Mundo Novo.

Janaina Honorato
Janaina Honorato
Jornalista especialista em agronegócio com formação em marketing digital. Experiência de 9 anos com comunicação para o agronegócio em reportagens de TV, rádio, impresso e internet.
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