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Colheita do milho brasileiro traz leve recuo das cotações no mercado interno

Quedas de produção na safra mundial de milho por conta do clima, abre janela para exportações no Brasil, que pode impulsionar os preços do grão para cima

Goiás plantou mais de 1,7 milhão de hectares de milho, 5% a mais que no ciclo anterior na segunda safra 2021/22. No levantamento de setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontou a produção foi estimada em quase 8 milhões de toneladas do grão, alta de 16,5% na temporada, com um rendimento de mais de 4.500 kg/hectare, crescendo em 10%. A colheita foi encerrada no mês de agosto no estado.

O produtor goiano enfrentou vários desafios como: a estiagem em abril e maio, época de desenvolvimento das lavouras; associado aos custos altos de produção e ainda a infestação da praga cigarrinha do milho, que trouxe prejuízos às lavouras. Foi observada uma queda significativa da produção nos últimos dois anos, se comparada à expectativa inicial do plantio, que nesta safra chegou à redução de 30% nas estimativas dos agricultores.

“Nós tivemos uma quebra significativa na safrinha brasileira passada, com problemas climáticos aqui no país, principalmente o corte precoce das chuvas, somada a uma janela de plantio um pouco mais tardia em 2021 e isso acabou levando a perdas de produção”, explica Cristiano Palavro, consultor de mercado de grãos da Pátria Agronegócios.

Comercialização

No final da colheita, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), analisou que boa parte do volume produzido de milho já tinha sido comercializado no estado. Mas, segundo os analistas, com o mercado de preços menos atrativos, alguns produtores ainda aguardavam melhores oportunidades para vender a safra.

O grande volume de venda do grão aconteceu em julho e agosto, por conta da pressão da colheita, com o produtor vendendo direto da fazenda e economizando custos de armazenagem e frete. Em torno de 30% das negociações antecipadas giraram entre R$ 75,00 até R$ 84,00 a saca de 60kg.

“Tivemos estoques mais baixos de milho no nosso mercado interno, que teve como primeiro efeito, a redução das nossas exportações, que eram estimadas em 40 milhões de toneladas na safrinha passada, ficaram por volta de 21 milhões de toneladas, o que é normal para um ano de quebra. Se não temos excedente para exportar, é priorizado o mercado interno e os preços tendem a subir aqui dentro do país, em comparação com outros exportadores e isso faz com que a gente perca mercado. Isso é natural, só exportamos o que temos sobrando”, analisa.

Por conta disso, segundo Palavro, os preços do milho no Brasil, se mantiveram aquecidos deste o ano passado até as finalizações da safrinha este ano.

“Nós tivemos preços para a safra de verão bastante aquecidos, tivemos bons momentos de mercado no primeiro semestre e os preços só tiveram fortes recuos, chegando na casa dos R$70,00, quando tivemos sinalizações mais claras, que a safrinha deste ano seria boa. Apesar das perdas produtivas observadas principalmente em Goiás e Minas Gerais, com produtividades não muito diferentes do ano passado, mesmo tendo uma janela de plantio muito boa neste ano, em geral, a safra nacional foi boa. O que acabou gerando pressão nos preços internos do milho”.

Safra de milho no mundo

Segundo Cristiano, o cenário de agora em diante segue em aberto, mas com perspectivas de recuperação dos preços do milho, com muita demanda e menor oferta, baseado principalmente no mercado internacional, que tem perdas produtivas sendo observadas no Hemisfério Norte, com expectativa de exportações bastante aquecidas no Brasil ao longo dos próximos meses.

Estados Unidos

Os Estados Unidos são o maior produtor, consumidor e exportador de milho do mundo, teve um clima limitante ao longo de julho e agosto, o que fez com que as lavouras fossem perdendo qualidade.

“As expectativas é que a produção fique menor do que as atuais projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que fala hoje em torno de 364 milhões de toneladas, é grande a perspectiva de que esse número não se concretize. Como eles são os maiores, se tiverem uma safra menor, vão conseguir exportar menos esse ano e isso vai abrir mercado para outros grandes exportadores como o Brasil”.

União Europeia

Já a União Europeia que também é um grande produtor, considerando o bloco, é o quarto maior produtor de milho do mundo, mas o consumo de milho do mercado interno deles é superior à produção, o que sempre os configura como grandes importadores.

“Este ano, a safra que era estimada em 72 milhões de toneladas, ela deve se concretizar na faixa de 55 milhões até menos que isso, isso porque tivemos seca durante os meses de desenvolvimento e temperaturas elevadíssimas. Uma região de clima temperado, registrando temperaturas superiores a 40 graus, isso depreciou muito a qualidade do milho da União Europeia, ao produzir menos eles vão ter que importar mais, o que é mais um fator positivo para nossa exportação, já que o mercado europeu absorve boa parte da nossa safra”.

China

No continente asiático, a China é o segundo maior produtor e consumidor de milho do mundo também, mas tem figurado na lista dos maiores importadores do grão, mas vem tendo uma safra não muito boa.

“Se as perdas produtivas principalmente no centro-sul da China se concretizarem, também causadas por chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, nós vamos ter aí um importador de milho perdendo safra e podendo aumentar os volumes de importação. Por enquanto, os acordos com o Brasil estão sendo alinhados, mas há grande expectativa de no começo de 2023, o Brasil esteja habilitado para exportar milho para China, mas um fator que coloca nossas exportações em um upgrade”.

Ucrânia

Segundo o analista, a Ucrânia tem grande oferta de milho da safra passada ainda à disposição, o corredor de exportação acordado com os russos até novembro, mesmo diante dos conflitos, está funcionando, mas com preocupações de que esse acordo não será prorrogado, é o que o mercado aponta, porque os russos querem limitar a oferta de milho para a Europa, seria uma forma de pressionar o continente com relação à guerra.

“Se esse milho ucraniano não tiver disponível realmente, mais uma vez pressão positiva para preços, também abre mercado para o Brasil, porque a Ucrânia figura ali entre terceiro e quarto maior exportador. Se não tiverem condições de colocar esse milho para fora via Mar Negro, os compradores deles vão ter que buscar outros mercados, entre eles o Brasil. O cenário de produção de milho é ruim no Hemisfério Norte, com perdas produtivas se confirmando e isso abre possibilidade de maior mercado para o milho brasileiro”, explica.

Safra 2022/23

A grande preocupação para a safra 2022/23 são os custos de produção para a cultura do milho. Mesmo com certa queda nos preços dos fertilizantes, depois de atingirem altos patamares com a guerra entre Rússia e Ucrânia, ainda insumos como fosfato, potássio e ureia passam por grandes oscilações de valores, principalmente por conta do mercado europeu, desestabilizado pelo conflito, ser um grande produtor de nitrogenados.

“Os custos desses fertilizantes nitrogenados seguem altos, por conta dos gastos com energia, o que faz diminuir a oferta de ureia para o mundo, que é bem usada nas lavouras de milho. De forma geral, os produtores já vão sair pra safrinha de milho do ano que vem, com custos bem elevados e vai ficar muito exposto aos riscos de clima. Se tiver qualquer oscilação nas produtividades, a conta vai ficar apertada. Mas existe viabilidade para a safra de milho do ano que vem, com tendência de aumento de área plantada, seguindo os últimos anos”.

Se a área plantada de milho vai crescer ou não vai depender dos investimentos dos produtores e também se a área da safra de verão da soja terá um plantio cedo, que dá uma viabilidade para o incremento das lavouras.

“Se a soja for plantada cedo, abre uma boa janela de milho. A principal orientação é o produtor ficar de olho no mercado, com bastante clareza, para que ele possa tomar melhores decisões já para travar os preços desse produto de forma antecipada. Não é um ano para se expor ao risco, usar a bolsa de valores para fazer proteções de baixa, travar também os volumes da safra do ano que vem é uma estratégia boa, com risco apenas que travar preço de milho de forma antecipada é um pouco mais complicado, porque a oscilação de produção é muito grande. A melhor alternativa hoje é o uso de ferramentas financeiras para proteção de preços no caso do milho 2023”, orienta Cristiano Palavro, consultor de mercado de grãos da Pátria Agronegócios.

Janaina Honorato
Janaina Honorato
Jornalista especialista em agronegócio com formação em marketing digital. Experiência de 9 anos com comunicação para o agronegócio em reportagens de TV, rádio, impresso e internet.
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