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Agronegócio goiano sobreviveu em 2022 com incertezas climáticas, guerra e alta nos custos

Balanço foi apresentado em coletiva realizada pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag nesta sexta-feira (16)

Incertezas e resiliência do produtor rural. Foi com essas palavras que a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) abriu nesta sexta-feira (16), em Goiânia, a coletiva anual de imprensa para apresentar o balanço do setor agropecuário em 2022 e perspectivas de 2023.

O presidente do Sistema Faeg/Senar/Ifag, José Mário Schreiner, apresentou os grandes desafios enfrentados pelo produtor rural goiano em 2022 como: a alta de custos, adversidades climáticas, mercado internacional incerto; mas afirmou que o setor sobreviveu, mostrando seu potencial resiliente, mesmo com margens mais apertadas.

José Mário Schreiner, presidente do Sistema Faeg/Senar/Ifag em discurso durante a coletiva de imprensa. Foto: Fredox Carvalho

“Não há o que comemorar, se fossemos resumir 2022, é que passamos e sobrevivemos. O setor agropecuário goiano enfrentou problemas climáticos, uma safra de soja razoável, mas problemas sérios com a safrinha de milho, além das consequências da guerra da Ucrânia e da Rússia que são grandes fornecedores de fertilizantes e isso nos afetou aumentando os custos de produção, fazendo com que a renda do produtor rural ficasse exprimida. Além dos reflexos da pandemia, que ainda afeta o setor produtivo. Chegamos ao final do ano cumprindo nossa missão, abastecendo o mercado interno brasileiro e podendo exportar para mais de 200 países do mundo”, analisa.

Balanço 2022

O balanço de 2022 foi apresentado pelo coordenador institucional do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Leonardo Machado, que relembrou o esforço dos produtores para manter as atividades funcionando com pandemia, recessão econômica, clima, instabilidade política e que mesmo assim, a comercialização do setor nas exportações atingiu números expressivos no estado.

“Duas palavras definem 2022: incertezas e resiliência. Resiliência do produtor e das vendas no mercado internacional em Goiás. Ultrapassamos os 10 bilhões de dólares exportados. Há cada 100 dólares de produtos exportados no estado, 78 dólares são produtos do agro, crescimento de 42% se comparado a 2021. Mesmo em cenário de guerra, mercado internacional incerto, o estado de Goiás segue com crescendo nas exportações”, pontuou. Produtos agro como complexo soja, carnes e cereais (milho) foram os destaques dos embarques.

Crédito Rural

A evolução do crédito rural em Goiás é demonstrada pelo valor do recurso contratado na categoria custeio. Com o aumento da inflação e alta nos custos de produção em 2022, segundo o Banco Central do Brasil, o produtor rural precisou gastar mais para produzir, consequentemente captou mais crédito por área cultivada.

“No ano passado o produtor captou 2,8 mil reais por hectare, esse ano a média captada foi de 4,5 mil reais por hectare pra produzir a mesma coisa. Se teve um aumento no valor de crédito disponibilizado pelo Governo, mas por conta dessa alta dos preços, teve queda no número de contratos. Soja, Milho, Pecuária de Corte e de Leite tiveram alta nos custos e a tendência é de alta para 2023”.

Pecuária 2022

Em 2022, houve aumento do abate de fêmeas em Goiás, levando uma redução no preço da arroba do boi gordo. Essa mudança é sazonal no ciclo da pecuária de corte e com isso, os indicativos para 2023 não são favoráveis pra arroba.

Já na pecuária leiteira, houve redução de captação de leite em 2022 em Goiás, resultado de altos custos de produção e da redução do valor pago pelo produto ao pecuarista. No acúmulo de 2022, a redução da quantidade de leite produzida foi de 15%. Para 2023 deve cair cerca de 1% na produção.

Safra de Grãos 2022

As primeiras expectativas da safra de soja em 2022, indicavam um volume de 14 milhões de toneladas em Goiás, mas Goiás fechou o ciclo 2021/2022 com 17 milhões produzidos dos grãos, com o clima favorável e o plantio dentro da janela ideal, a safra foi recorde.

Para o milho safrinha, o cenário foi diferente, nos meses de abril e maio de 2022, as condições climáticas não foram ideais, o que prejudicou bastante o desenvolvimento da cultura, além do ataque da cigarrinha, que trouxe prejuízos aos agricultores. Se a expectativa inicial para o ciclo era de 11 milhões de toneladas, o ano de 2022 foi fechado com um volume de 7,9 milhões de toneladas, ou seja, perdas pelo segundo ano consecutivo na cultura.

A área plantada de soja e milho vem ganhando espaço em Goiás, diminuindo o cultivo de culturas como arroz e feijão, por conta da rentabilidade e valorização dos principais grãos.

Perspectivas de 2023

Apesar de ser um ano que não se mostra com grandes avanços de produção por causa da falta de chuva na época do plantio da safra 22/23, o agro deve seguir com o papel forte da economia. Hoje, o setor representa 27% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo responsável pela geração de 35% dos empregos no Brasil.

Na apresentação do diretor-executivo do Ifag, Edson Novais, ele demonstrou que mesmo o ano de 2022 sendo desafiador e não muito otimista, o ano de 2023 não pode ser pessimista, mas o produtor rural goiano precisa encarar as incertezas do ano que vem com cuidado, para proteger e garantir a continuidade do seu negócio rural.

“Se fosse definir 2023 em duas palavras seria: apreensão e cautela. Três situações para cautela que nos preocupa mais: a recessão econômica mundial, as mudanças climáticas e as incertezas políticas. Não tanto otimismo, mas nem tanto pessimismo”, aponta.

O FMI mostrou queda no PIB da economia mundial, com taxas de juros mais elevadas, redução da oferta de crédito, tendência de custo crescentes dos alimentos e demanda reduzida de exportações que podem ameaçar o setor em 2023. A recessão econômica deve ser puxada pela inflação dos combustíveis e dos alimentos nos Estados Unidos; a redução no nível de crescimento da União Europeia, por conta da guerra na Ucrânia com pressão inflacionária; a China com atividade econômica em queda ainda sob o efeito da covid.

“Ainda temos produtores terminando a safra de verão, com influência do La Niña e tem a preocupação com o desenvolvimento da safrinha de milho, que precisamos acompanhar. Nesse plantio de verão, ficamos abaixo do percentual plantado por mês nesta safra.

Pecuária 2023

Para 2023, se espera mais redução na captação de leite, porém em um percentual menor que em 2020. No caso da pecuária de corte, a redução do abate de fêmeas e uma possível redução do gado de reposição pode levar a um menor número de abates. Para a suinocultura e avicultura, a tendência é uma estabilidade na oferta, apesar da expectativa de menor consumo.

Receita 2023

Após dois anos de forte crescimento, 2021 e 2022, o ano de 2023 indica tendência no Valor Bruto da Pecuária em desaceleração, visto o maior custo de produção e a redução do consumo no mundo. A projeção é de um aumento de 2% apenas, registrando 121 bilhões de reais em Goiás.

O PIB brasileiro deve fechar em 2023, com saldo positivo de apenas 0,75%. A redução do crescimento, aumento da dívida pública e inflação acima da meta são preocupantes para o próximo ano. Isso ainda se soma, a uma redução não tão grande da taxa Selic, mas haverá uma tendência de redução do desemprego e recuperação do PIB.

Cenário Político 2023

Há uma preocupação na cadeia do agronegócio com a mudança política brasileira em 2023, segundo José Mário Schreiner, principalmente pela falta de clareza do plano do governo eleito sobre o setor produtivo.

“O clima é preocupante para 2023, mas não é aterrorizador. O mundo precisa se alimentar e o Brasil nesse aspecto é protagonista na produção, mas para isso, precisamos de políticas públicas. Temos um novo governo no Brasil, que não sinalizou qual é a política para o agro e ainda não temos um Ministro da Agricultura escolhido. Enxergamos 2023 com muita cautela, o produtor já vem carregando custos mais altos, então vai ser preciso fazer conta e estar preparado para os desafios. Vamos dar o passo do tamanho da perna, nenhum centímetro a mais”, orienta o presidente do Sistema Faeg/Senar/Ifag.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reforçou em Coletiva de Imprensa anual, que o contato da entidade com a equipe de transição da Presidência do Brasil, foi através de um documento, chamado O que esperamos dos próximos governantes, elaborado em parceria com os produtores rurais e que trata de reformas administrativas, tributárias e propostas para o setor e outras áreas da sociedade como segurança, educação, saúde, emprego, mas o diálogo será aberto entre a entidade e o Governo Eleito para melhorias do agronegócio.

Schreiner, que é 2º vice-presidente do Sistema CNA, afirmou que a equipe de transição do Governo Lula está com esse documento com propostas da entidade e dos produtores rurais para o Brasil.

“Não participamos da transição, porque temos uma posição fixa, porque somos aliados ao atual presidente da República. Não conversamos ainda com o atual governo, porque ainda não tem ministro da agricultura escolhido”, aponta.

PEC de Transição

Schreiner, que também é deputado federal e membro da Comissão de Política Agrícola da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), comentou durante a coletiva, sobre a PEC de Transição e o parecer ao Projeto da Lei Orçamentária Anual, o PLOA, que liberou R$145 bilhões para o novo governo de Lula, e foi aprovada pelo Plenário do Senado Federal na última semana. A proposta agora será analisada na Câmara dos Deputados, já o PLOA tem previsão de ser votado na próxima semana.

A bancada da FPA, apontou a preocupação com o valor apresentado no relatório preliminar do PLOA, dizendo ser vergonhoso o que foi sugerido no texto, para destinar apenas R$1,5 bilhão para o setor agropecuário, que não daria nem para o seguro rural. E o setor que nunca parou, nem na pandemia e segura a economia, não deveria ser preterido no orçamento.

“Há uma preocupação muito grande. Estou indo para Brasília pra defender numa sessão do Congresso Nacional, alguns vetos que foram feitos na LDO [Lei das Diretrizes Orçamentárias], com relação a Embrapa, Incra, Seguro Rural. É extremamente importante você manter recursos para o setor agropecuário, fortalecer o setor. Dentro da PEC da Transição, ter apenas R$ 1,5 bilhão para o setor agropecuário, é muito pouco em um ano, porque nosso setor é muito importante. Toda essa discussão está em jogo na FPA, pra que a gente possa aprovar ou não aprovar na terça-feira (20) ou finalizar essa pauta da PEC”, finalizou a coletiva José Mário Schreiner.

Nova Plataforma Faeg

A programação da coletiva contou ainda com o lançamento do novo portal sistemafaeg.com. A plataforma oferece novas possibilidades para quem quiser ampliar a produção, conhecendo novas soluções para o campo. Acesse: https://sistemafaeg.com.br/faeg.

Prêmio Faeg de Jornalismo

No evento, foi feito ainda o lançamento do ‘Prêmio Faeg/Senar de Jornalismo 2023’, com o tema: “O Campo está em tudo: o papel da produção na evolução da sociedade”.

As melhores reportagens concorrerão a mais de R$ 100 mil reais, sendo um carro zero km avaliado em cerca de R$ 95 mil e outros R$ 20 mil em premiações em espécie.  A novidade faz parte da “Campanha Sistema Faeg é de todos, mas feito para cada um”.

Janaina Honorato
Janaina Honorato
Jornalista especialista em agronegócio com formação em marketing digital. Experiência de 9 anos com comunicação para o agronegócio em reportagens de TV, rádio, impresso e internet.
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