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Agricultor planta soja orgânica, economiza nos custos de produção e ainda tem renda maior com o produto

Rogério Vian, apostou na pesquisa e hoje cultiva 400 hectares de soja sem usar defensivos químicos, em Mineiros no sudoeste de Goiás

A soja é o principal produto da exportação no Brasil, que é o maior produtor com 140,5 milhões de toneladas e o maior exportador mundial do grão. Em 2021, o país bateu recorde, exportando 86,628 milhões de toneladas de soja em grão, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Para Goiás, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu quarto levantamento da safra 2021/2022, estima um aumento de 4,6% na produção de soja, o que representa mais de 14,3 milhões de toneladas, nos quase 3,7 milhões de hectares plantados. Se confirmado, o estado deve ser o quarto maior produtor da oleaginosa do país.

Toda essa importância, é graças ao empenho de agricultores como Rogério Vian, que também é engenheiro agrônomo e produz soja, na Fazenda Sélia, no município de Mineiros, extremo sudoeste de Goiás. Mas ele não é um produtor convencional, o agricultor cultiva o grão mais importante do país sem o uso de defensivos químicos.

Vian percebeu que é possível plantar soja com sustentabilidade e levou anos pesquisando, até transformar boa parte da lavoura convencional da família, em 400 hectares de soja orgânica em sistema de sequeiro. Além disso, também cultiva outros produtos.

“Há quatro anos eu produzo soja orgânica aqui na minha propriedade. Nos 400 hectares, eu planto soja na safra e milho, sorgo ou gergelim na safrinha. A gente vinha há mais de 15 anos desenvolvendo esse modelo de agricultura sustentável, buscando diminuir o uso de defensivos químicos. Depois que a gente passou a plantar orgânico, 100% da área é tratada sem insumos químicos”, conta.

Defensivos Biológicos

O agricultor faz todo o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, além dos cuidados com o solo com produtos biológicos, com manejo integrado da lavoura.

“Todo o tratamento no solo é feito com remineralizadores, os pós de rochas, fosfato naturais, calcário e todo tratamento das lavouras feito aqui são com produtos biológicos multiplicados no próprio laboratório da fazenda, vírus, fungos, bactérias e no controle com inimigos naturais. A aplicação de defensivo biológico, acontece semanalmente à medida que a lavoura vai precisando. Tudo é feito com maquinário, agora para tirar todas as plantas daninhas mesmo, é preciso ter um funcionário fazendo a capina manual com enxada rotativa. Na agricultura orgânica, o difícil é só achar mão de obra, que é escassa”, explica Vian.

Segundo Rogério, os primeiros anos do cultivo orgânico de soja foram de adaptação a nova realidade e aos poucos a lavoura foi ganhou forma, se tornou produtiva.

“No primeiro ano, colhemos 28 sacas por hectare, enquanto os outros cultivos convencionais colhiam mais de 60. Agora nossa média para esta safra é 52 a 55 sacas por hectare e já chegamos até a 60”.

Comercialização da Soja Orgânica

Além de produtiva, a soja orgânica do Rogério é bem rentável. O que sai da fazenda vai para uma indústria no Paraná, que beneficia e exporta o grão.

“Na hora de vender, eu consigo até 15 reais a mais por saca por conta do teor de proteína maior da soja orgânica, em torno de 44%, enquanto as convencionais tem uma média de 37%. Além disso, o mercado valoriza por ser orgânica e dependendo de como está, remuneram 30% a mais para mim”.

Custos de Produção

Além de toda a rentabilidade do orgânico ser bem interessante, há vantagens também nos custos de produção, o agricultor consegue uma economia grande, comparada às lavouras comuns.

“Ah, com custo de produção de insumos, defensivos agrícolas, eu chego a economizar de 40% a 50% de um cultivo normal, porque eu produzo o insumo biológico na propriedade, compro a cepa do fungo comercial e multiplico, multiplico da mata nativa também no laboratório, então isso é muito bom. Nessa crise dos fertilizantes aqui no Brasil, eu não tive problema, porque tudo que eu preciso de defensivos, praticamente vem daqui da fazenda”, analisa Vian.


História do Agricultor

Rogério nasceu em Barra do Garças, no Mato Grosso. Filho de agricultores gaúchos, se mudou com a família para Mineiros em Goiás, há mais de 40 anos.

Lá no começo, os pais plantavam arroz para melhorar o solo e garantir o cultivo de outros alimentos, depois veio a soja que tem uma característica mais rentável.

Nos anos 90, o agricultor se formar em agronomia e técnico agrícola, foi aí que começou a ajudar nos negócios da família e sempre dava um jeito de implantar novidades das aulas na fazenda.

Em 2004, Rogério perdeu os pais, assumiu de vez o negócio e também foi a partir daí que intensificou os estudos sobre agricultura sustentável, pesquisava sempre sobre práticas adotadas no Brasil e no mundo.

Depois de fazer vários testes como: tratamento de sementes protegendo as plantas de doenças com produtos biológicos, técnicas como o uso de adubo natural com pó de rocha, ele foi substituindo o químico pelo orgânico e em 2018, incorporou de vez o sistema sustentável na lavoura.

Agronegócio e Natureza lado a lado

A propriedade do agricultor é vizinha do Parque Nacional das Emas, um excelente cenário para inspirar a produção.

“Além das culturas que cultivamos, tem mais de 369 hectares de reserva legal e APP [Área de Proteção Permanente]. A gente faz divisa com o Parque Nacional das Emas e a gente procura fazer uma agricultura mais sustentável, ecologicamente mais amiga, socialmente correta e com maior rentabilidade”, diz.

Grupo de Agricultura Sustentável

Com os bons resultados da lavoura, foram surgindo produtores interessados no cultivo orgânico de grãos. Foi a partir daí, que criaram o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS). O objetivo é a troca de conhecimentos e experiências entre agricultores e pesquisadores sobre o controle natural de lavouras.

“Dentro desse grupo, a gente procura trazer ferramentas de insumos regionais, que ajudam o produtor a se manter na atividade. Trabalhamos com remineralizadores de solo, com mix de plantas de cobertura, com microorganismos eficientes coletados na mata e multiplicados na fazenda. Usamos ferramentas como homeopatia, biodinâmica, física quântica e a gente vem aprendendo como manejar, observando mais a natureza, o solo ao invés da planta e temos resultados maravilhosos, nas colheitas, na rentabilidade e na proteção da natureza”, descreve.

O principal objetivo, segundo o agricultor, não é divulgar ou fomentar só a agricultura 100% orgânica, mas também mostrar que é possível produzir muito com o mínimo de impacto possível à natureza e utilizar os recursos naturais de forma consciente e a favor da produção.

“Vamos continuar estudando e ampliando a área orgânica. O dinheiro é importante, mas a sustentabilidade é essencial. Todos podem fazer esse modelo de produção sustentável, basta decidir e entender como a agricultura funciona, como a natureza funciona. Dá para aliar agricultura mais rentável e mais amigável com o meio ambiente”, finaliza Vian.

Janaina Honorato
Janaina Honorato
Jornalista especialista em agronegócio com formação em marketing digital. Experiência de 9 anos com comunicação para o agronegócio em reportagens de TV, rádio, impresso e internet.
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